Por Bianca Ben, 20/10/2025

O Brasil segue sendo um país de contrastes econômicos, mas os dados mais recentes do IBGE indicam que, aos poucos, há sinais de melhora. A última divulgação (2024) revela que a renda média do brasileiro aumentou e a desigualdade caiu — o que representa um avanço após um período de forte retração durante a pandemia.
O cenário de 2022: o retrato do abismo social
Os dados do Censo 2022 mostraram uma realidade preocupante:
• 35,3% dos brasileiros viviam com até 1 salário mínimo por mês.
• Quase 60% ganhavam até 2 salários mínimos.
• Apenas 2,6% recebiam mais de 10 salários mínimos mensais.
• A faixa mais populosa era a de 1 a 2 salários mínimos (32,7%), enquanto os que superavam 20 salários mínimos somavam menos de 1% da população. Essa concentração na base da pirâmide refletia as limitações estruturais do país em termos de emprego de qualidade, formação profissional e valorização do trabalho.
O cenário de 2024: sinais de recuperação
De acordo com os dados mais recentes do IBGE (PNAD Contínua e Rendimento Domiciliar Per Capita):
• A renda domiciliar per capita atingiu R$ 2.069 em 2024 — o maior valor da série histórica.
• Houve um crescimento de 4,7% no rendimento médio per capita, após altas sucessivas de 11,5% (2023) e 6,9% (2022).
• O Índice de Gini, que mede a desigualdade, caiu para o menor valor já registrado.
• A diferença entre os 10% mais ricos e os 40% mais pobres reduziu-se: os mais ricos ganhavam 13,4 vezes mais — uma queda expressiva em relação aos anos anteriores.
Esses indicadores sugerem uma melhora gradual da distribuição de renda, impulsionada pela retomada do emprego, aumento do salário mínimo real e políticas de transferência de renda.
O que isso significa para o país
Embora ainda haja uma distância significativa entre as classes, a tendência recente é positiva:
• A base da pirâmide começa a se fortalecer com aumento real da renda dos mais pobres.
• A desigualdade recua, ainda que lentamente, abrindo espaço para uma mobilidade social mais justa.
• O desafio atual é transformar essa melhora em algo sustentável — com políticas voltadas à formação, produtividade e valorização do trabalho qualificado.
• A nova pirâmide brasileira ainda é desigual, mas já não é estática. O avanço da renda e a redução das disparidades indicam que o país pode estar, finalmente, trilhando um caminho de reconstrução da sua classe média — elemento essencial para o crescimento econômico sustentável.
Fontes consultadas
IBGE – Agência de Notícias
IBGE – PNAD Contínua 2023
IBGE – PNAD Contínua 2022
Hora do Povo (link): 35,3% dos trabalhadores ganham até 1 salário mínimo – Censo 2022