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De 2008 à Era da Inteligência Artificial: o que mudou nos processos seletivos?

  • 23 de fevereiro de 2026
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Por Bianca Ben, 23/10/2025

 

Lembro bem: eram 600 pessoas chegando cedo, algumas ainda com o sol nascendo, todas com pastas cheias de documentos, identidade, CPF, carteira de trabalho — tudo físico, pesado, mas cheio de significado. O local? Um galpão em São Cristóvão, improvisado com o máximo de cadeiras que conseguimos reunir. Mesmo assim, a fila parecia não acabar. Começamos às 7h da manhã e fomos até as 21h, sem pausa para almoço, apenas lanches.

As vagas eram para Operadores de Serviço ao Cliente e Cabistas, antes mesmo da Serede existir — ainda tínhamos a concessionária Telsul Serviços S.A.. Naquela primeira semana, aplicamos testes técnicos, medimos altura e peso para o trabalho em campo, fizemos entrevistas e devolutivas. Na semana seguinte, tinhamos 150 pessoas em treinamento, conhecendo normas de segurança, recebendo EPIs, ouvindo o som da própria CTPS sendo carimbada. Finalmente, na terceira semana, estavam nas ruas, prontos para o trabalho.

Era tudo presencial, do começo ao fim. A gente conhecia o rosto de cada um deles, via o nervosismo nos olhos, sentia o cheiro de café correndo pelas salas. Nada era rápido, mas tudo era uma experiência muito viva e totalmente em tempo real.

E se esse mesmo processo acontecesse hoje?


Hoje, a inteligência artificial faria tudo em uma fração do tempo. A vaga seria publicada em segundos, atingindo o público certo em diferentes plataformas. Os currículos chegariam automaticamente filtrados por aderência técnica e comportamental e dentro de algumas horas teríamos possivelmente mais de 600 inscrições — lembrando que estamos falando de vagas operacionais. As entrevistas iniciais seriam gravadas, com análise de linguagem e expressões — tudo sem filas, sem deslocamento, sem papel. Os documentos seriam enviados e validados digitalmente, e o onboarding aconteceria em uma plataforma interativa, com vídeos, quizzes e acompanhamento em tempo real.

O que antes levava três semanas, hoje levaria de três dias à uma semana, talvez? — com eficiência, economia e precisão.

 

Mas será que ficou melhor?

A tecnologia nos poupou tempo, simplificou etapas e democratizou o acesso. O recrutador agora analisa dados e não pilhas de papéis. O candidato pode participar de processos em outras cidades, sem sair de casa. A triagem é mais justa, o retorno é mais rápido, e a integração é mais fluida. Mas, ao mesmo tempo, às vezes me pergunto: o que perdemos nesse caminho?

Aquela ansiedade boa da espera, o olhar trocado, a energia coletiva de quem acreditava que aquele dia poderia mudar sua vida — isso não cabe em um algoritmo. E me pergunto se os candidatos de hoje em dia se lembram dessa experiência, ou se tiveram essa experiência, quando vejo algumas reclamações sobre processos automatizados: Seria nostalgia? Qual será a régua de medida dos candidatos de hoje sobre processos seletivos automatizados versus a experiência de anos atrás, totalmente presencial?

E você? Já viveu (ou ouviu falar) dos processos seletivos de antigamente?… Acha que a inteligência artificial melhorou ou enfraqueceu o jeito de contratar e ser contratado? Algumas experiências hoje certamente não se parecem em nada com as experiências de antigamente! E eu, que vivi lá atrás esse processo seletivo intenso, sou suspeita de dizer que amo a inovação! Acho que ela tem cheirinho de humanidade quando se torna muito mais confortável para todos os envolvidos!